7 de abril de 2014

1ª etapa MDS em imagens


Dorsal 1114 aqui à vossa direita: o nosso Pedro Gonçalves!

Um corredor minimalista, quase descalço!








Ai, credo, é o 1131... Podia ser o 1113, o meu Paul Michel...










 



Fonte: http://www.darbaroud.com/en/medias-gb/photos.html

6 de abril de 2014

29ª Marathon des Sables | 1ª etapa | 34km

Começou hoje a 29ª edição da Marathon des Sables. Nesta 1ª etapa cerca de 34km teriam de ser precorridos. A partir de amanhã as etapas são:

2ª etapa: 41km.
3ª etapa: 37,5km
4ª etapa: 81,5km (até doi só de imaginar...)
5ª etapa: 42,2km
6ª etapa: 7,7km (esta até eu fazia... Oh, se fazia!)

Recordo que hoje é o dia em que a mochila está mais pesada. A estratégia do Paul Michel era fazer esta primeira etapa muito devagar, para se adaptar ao terreno e à temperatura. E, claro, perceber como é que o pé lesionado reagiria. Não quero com isto dizer que as próximas etapas serão feitas mais rápido. Nada de expectativas! Não contem com isso.

Depois de falar com o Mister ele tranquilizou-me e disse-me que ele está a seguir a estratégia. Primeiro dia, muita calma. Os próximos serão aquilo que o corpo aguentar.

Hoje, aqui por casa o dia foi de nervos. Para mim, sobretudo. Os miúdos estão tranquilos. Para não os expor ao stress digo-lhes que as etapas são muito longas, o que é verdade, e que o pai só chega à noite. Assim evito que andem sempre a perguntar se o pai já chegou.

Como foi o meu primeiro contacto com o site da prova andei um pouco angustiada porque não via a passagem dele nos pontos de controlo. Ao que apurei, nem sempre os chips funcionam, logo não há que ficar em pânico caso essas passagens intermédias não apareçam no site. Mais tarde eles costumam actualizar essa informação. Mas, pronto, não deixa de ser um stress ver as passagens dos outros e não ver a dele. Salta logo a dúvida: será que o chip não fez a leitura ou será que ainda não passou mesmo?? 

Conclusão deste 1º dia: etapa concluída com sucesso! Esse é o grande objectivo e foi alcançado. Fez 37km, com 9,5kg às costas, durante 6h52m14', classificando-se, para já, em 464º lugar da geral (de um total de 1169 atletas).

Uma palavra de grande reconhecimento a três portugueses que estão no TOP 50: Carlos Sá (jura???), João Colaço e Pedro Gonçalves.

Beijinhos e abracinhos aos nossos portugueses! Dedico-lhes, depois da etapa de hoje, esta música.


Durmam bem!



Bom diiiiiiiiaaaaaaaaaaa


Toca a acordar TUGAS!!! Bom dia!!! Hoje o prato do dia são 34km!!

SIGA!! Não pára, não pára!! E cara alegre!

Música da partida da MDS

5 de abril de 2014

Último contacto com a Marathon des Sables

Acabo de ouvir pela última vez, até terminar a prova, a voz do Paul Michel. Daqui a um par de horas vai entregar a mala com os objectos pessoais e acabam-se os telefonemas. De seguida vão começar as jornadas técnicas para fazer os controlos médicos, alimentares e do material obrigatório. A partir de hoje já estão em auto-suficiência. Estão por sua conta.

Disse-me que já dormiram nas tendas. Tendas como quem diz.
Disse-me que se dorme horrivelmente mal.
Disse-me que são uns panos espetados nuns paus e pouco mais.
Disse-me que dormiu mal.
Disse-me que na tenda deles têm ainda um mexicano e dois espanhois, creio.
Disse-me que o ambiente entre os portugueses é excelente, com grande espírito de camaradagem.

Outra coisa não se esperava. Portugueses que se encontram fora de Portugal são sempre os melhores amigos e ainda mais nestas circunstâncias.

Disse-me: "tenho à minha frente as maiores dunas do Sahara. Nem imaginas as cores do deserto... É tudo muito encarnado. Quando desligar o telefone vou fazer um filme para te mostrar. É tão bonito..."


4 de abril de 2014

Uma mala de cartão numa terra marroquina...

Tenho tanto para contar mas vou tentar ser breve. E vou já começar pelo fim.

Falei hoje com o Paul Michel e já estava em Marrocos. Estavam todos bem e animados, disse ele. Pudera, aquilo agora é uma animação, quero vê-los animados lá para o terceiro dia. Quero, quero...

Organizar a mochila demorou um dia e meio! Sim, leram bem, um dia e meio. Acho que se virem as próximas imagens perceberão porquê.


Esta é a mala de viagem, onde leva não só o material e alimentação que vai na mochila como tudo o que precisa para a estadia fora da prova.

Comida para cada dia de prova e um saquinho com medicamentos

Um exemplo da alimentação para um dia (vais penar pouco, vais...)

E aqui está a lista de material

A MDS poderia equacionar, no futuro, atribuir uma espécie de bónus a quem conseguisse organizar a mochila com sucesso e à primeira tentativa! Quem atingisse esse objectivo teria equivalência a uma etapa concluída. Fica a sugestão. A dificuldade associada a esta tarefa é bem próxima, digo eu, da dificuldade de fazer uma etapa de 40km no deserto. Asseguro-vos que sim. Acreditem. 

Da primeira vez e depois de tudo organizado foi o pânico! Não cabia tudo na mochila. Aliás, não só não cabia tudo, como só cabia praticamente metade da tralha! Gritos, desespero, nervos à flor da pele, telefonemas para este e para aquele... Até que, alguém lhe dá a solução para o problema. E que solução tão simples, meus amigos. Querem saber qual?

Do outro lado da linha alguém lhe dizia: "é simples: ou passas frio ou passas fome! Tens que decidir."

Pronto! Qual era a dúvida? Estava aqui uma pessoa ralada a tentar enfiar tudo dentro de uma mochila quando a solução passava simplesmente por deixar cá 1/3 da comida que se estava a planear levar. Enfim... Há pessoas com sentido práctico, de facto. Óbvio: ou passas fome ou passas frio. Não tem nada que enganar.

Voltando às duas últimas semanas. A lesão do pé teimou em não abrandar. Sempre que ele fazia um treino longo, no dia seguinte as dores eram insuportáveis. O primeiro diagnóstico apontava para fascite plantar: pela localização da dor, pelos sintomas, tudo indicava que fosse isso. Mas para situações urgentes recorre-se a medidas urgentes. Faltavam duas semanas e era necessário tratar bem o que quer que fosse.

Fez, então, uma ressonância magnética que indicou inflamação em vários tendões e desgaste de algumas articulações. Coisas da velhice, diria eu... É que isto de começar a correr aos 40 anos tem destas coisas.

Aqui também é simples: ou se leva uma vida sedentária e morremos após um AVC ou começamos a correr e sofremos entorses, temos inflamações aqui e acolá... Olhem, é escolher. A vida é isso. É fazer escolhas. No fundo, no fundo, toda a nossa vida é tal e qual como a mochila da MDS: o que é que decidimos fazer? Qual a nossa estratégia para atingir o objectivo? O que fica, o que vai? O que levamos, o que deixamos? Do que é que não abdicamos para chegar lá? O que é realmente imprescindível para nós?

Para quem não sabe, o Paul Michel em Novembro de 2012 (há 1 ano e 5 meses) tinha 103kg e tomava medicação para a tensão arterial e colestrol. Uma conversa com o melhor amigo em pleno Gerês fez o clique na vida dele. Desde esse dia nunca mais foi o mesmo. Nunca mais parou. No verão de 2013, talvez ainda com 93kg, decidiu que queria ir fazer a MDS. Só perguntou a esse amigo se era possível. O amigo disse-lhe o que ele queria ouvir.

No final do verão de 2013 iniciou a sua preparação. Hoje está em Marrocos com o treino feito, 80kg no corpo, 9,5kg na mochila e um pé todo lixado. Mas está lá e vai fazer a prova!

O maior dos desafios está conquistado! A mudança de vida: o abandono de um estilo de vida pouco saudável e que já lhe estava a trazer consequência graves na vida dele, para um estilo de vida muito melhor. Os filhos orgulham-se dele. A filha quando teve de fazer um trabalho sobre os reis de Portugal escolheu D. Afonso II cujo cognome era "O Gordo". Dizia ela que gostava daquele rei porque o pai dela já tinha sido gordo e agora era magro. O filho anda sempre entusiasmado que o pai ganhe uma corrida. Desta vez, o seu maior desejo é que o pai chegue à frente do Carlos Sá! "Nunca se sabe, filhote, nunca se sabe" - dizem os psicólogos que nunca devemos "matar" os sonhos das crianças.

Mais uma vez, repito: tenho um orgulho enorme neste homem. E o que já fez até aqui vale muito mais que fazer esta prova. Não tenho dúvidas que a faça. Vai fazê-la, acreditem... Tenho a certeza que as dores (que vais ter, disso também não tenho dúvidas) vão virar sorrisos no final de cada etapa!

Por isso, rapazinho, quero-te a correr de cara alegre! Baby Runner corta SEMPRE a meta com um sorriso na cara!

E despacha-te a fazer isso e volta p'ra casa rápido que o jantar está na mesa!!







31 de março de 2014

É o caos...

Não consigo escrever muito. Desculpem. Não tem sido fácil. Espero, em breve, contar o que foram estas últimas semanas. Uma coisa vos digo: a prova só lhe pode correr muito bem.

... Porque nas últimas semanas tem corrido tudo mal...








30 de março de 2014

Lisboa, Lisboa

Já não consigo meter mais areia na minha furgoneta e por isso este sábado fiz um treino completamente diferente. Aproveitando o facto do meu filho ter uma festa de aniversário no Estádio 1º de Maio optei por realizar o meu treino em plena cidade de Lisboa. E que percurso? Fácil, o percurso da prova 1º de Maio.

Av. do Brasil 

Av. 5 de Outubro 

Av. Fontes Pereira de Melo 

Av. Fontes Pereira de Melo 

Av. Fontes Pereira de Melo 

Av. Almirante Reis

Alameda D. Afonso Henriques

Av. Guerra Junqueiro 

Praça de Londres
 
 
 
Este é um percurso muito citadino, com alguns defeitos - alguns tubos de escape, os cruzamentos com sinal vermelho para peões, os idosos nos passeios que teimam em não dar um jeitinho, etc. - mas é também um percurso muito interessante. Quem vive ou trabalha no centro de Lisboa não tem tempo para apreciar a beleza desta cidade.
 
Quem nunca o fez - e aqui tanto vale para Lisboa, Porto, Coimbra ou outra cidade qualquer - lanço daqui o desafio: experimentem! Saiam de casa, tracem um percurso, de preferência pelas principais artérias da cidade, levem uma máquina fotográfica e desfrutem a vossa cidade. Por uma vez, fujam dos parques das cidades, da beira-rio, das matas. Enfiem-se no caos citadino! Uma coisa vos prometo: é um treino diferente! Podem gostar ou não.  Mas não fiquem sem saber...
 
Boa semana!