Almeirim está vingado. No ano passado fui lá para desistir
aos 15km, vinda da Transgrancanária, ainda meio empenada, e os trilhos
ribatejanos levaram a melhor. Este ano, não! Tinha como propósito fazer o meu
penúltimo treino longo antes do MIUT e fi-lo. Certinha como um relógio suíço.
Sinto-me melhor nas subidas, com maior resistência muscular,
porque tenho apostado nos exercícios de pernas. Ou seja, não é que as suba mais
depressa, mas subo-as com menos sofrimento e recupero mais rapidamente quando
chego ao topo da subida. Sem estar com aquela sensação de “cheguei ao topo mas
morri!”
Nas descidas continuo a ser a mesma patareca (desde uma
queda na corrida no Monge nunca mais me atrevi a “voar”). Aquela queda
marcou-me. Pode ser que um dia isto me passe. Até lá… Peço quase licença a um
pé para mexer o outro.
Antes da partida tive uma surpresa: aparece junto de mim a
simpática Helena Gaspar, com quem já tinha falado vários vezes, mas apenas
virtualmente. No domingo, foi o dia de a conhecer e adicioná-la
à já longa lista de amigos que fiz no mundo da corrida.
Gostei da prova, como já referi o ano passado, o trail de
Almeirim só pode oferecer o que tem. Não tem grandes e infindáveis subidas, mas
deu para sacudir o “pó das sapatilhas”. Por vezes, percebemos que andamos às
voltinhas para se fazer mais um pouco de desnível positivo, mas percebe-se e, eu em particular, agradeço.
Os abastecimentos estiveram irrepreensíveis. Com tudo o que
é necessário e suficiente para uma prova destas: marmelada, frutos secos,
banana, laranja (deliciosa!!), tostas com Nutella, batatas fritas, água,
coca-cola, isotónico, queijo, pão e chouriço.
Até tinha tomate com sal!! Prova que tenha tomate com sal fica na minha
lista de TOP 10.
A simpatia e dedicação da organização é outro aspeto a
assinalar: quer no momento de levantamento dos dorsais, quer nos
abastecimentos. Tudo isto culmina com a famosa Sopa da Pedra. Confesso, que fiz
os últimos quilómetros e pensar nela. Além da sopa, temos direito a uma bifana,
um pampilho e bebida (água, coca-cola, sumos e vinho).
O Paul Michel fez os 30km e deixa uma sugestão de melhoria:
tentar evitar a junção, na parte final, dos percursos. Já se sabe que há
“sensibilidades” para todos os gostos e feitios. Se por um lado, há atletas que
gostam de fazer o seu melhor e por isso ficam descontentes se têm de serpentear outros atletas mais lentos ou mesmo caminheiros; por outro lado, há
os tais atletas mais lentos que têm o direito de seguir o seu percurso ao ritmo
que mais lhes convém ou querem.
Voltarei sempre a Almeirim, assim o calendário desportivo e
a saúde me permitam.











