5 de setembro de 2016

Tor des Géants 2016



E pronto. Agora vamos virar os holofotes para o Paul Michel, sim?

Dia 9 parte rumo a Courmayeur onde no dia 11 partirá para a maior aventura. Esta é que é a maior, é "mais maior" do que a Marathon des Sables. São 330km com 24000m D+ para se fazer, num máximo, de 150 horas. De uma etapa só. 

O Paul Michel vai só. Quando pensou neste desafio disse que só o faria com apoio. Na altura acordámos que sim, que iria fazer-lhe o apoio à prova. Mas, o início do ano escolar ditou que fizéssemos opções. A opção foi eu ficar. Por isso, houve a necessidade de reorganizar toda a logística e preparação desta prova. Há claramente uma grande diferença entre fazer uma prova destas com e sem apoio.

Ele vai sozinho. Vai ser uma semana de nervos. Preferia ir com ele. Sempre sabia da evolução, da sua condição física. Ao longe não saberei de nada, ou pelo menos saberei de muito pouco. Saberei aquilo que o site da prova me informar e saberei algo quando ele me telefonar (que não serão muitas vezes, já sei...).

Convido-vos a conhecer um pouco da prova que este ano atravessou uma controvérsia entre a organização e as entidades locais, ao ponto de neste momento estar a decorrer uma prova igualzinha, fazendo o mesmo percurso que o Tor des Géants. 

Sobre a preparação do Paul Michel, nada a assinalar: metódico, focado e rigoroso. Não tenho dúvidas que vai terminar esta desafio.

Mas esta preparação não começou faz meses. Começou faz anos.












 

















Não te esqueças que este ano vais sozinho, ó...?



1 de setembro de 2016

Em Chamonix cacei o mais valioso dos pokémons

Pois não pensem vocês que me deixei ir abaixo pelo facto de não ter terminado a OCC.

Finalmente concretizei um sonho. O sonho de conhecer, ao vivo a a cores, o senhor Anton Kupricka.

Andava eu e o meu amigo Nuno Amaral a passear pela feira do trail quando de repente... Pára tudo!! É ele! Ali! A 2 metros da minha pessoa. Olho para o lado e não vejo o Nuno. Enervo-me.

Mas onde é que este gajo se enfiou agora? Raios o partam!

Ligo-lhe para o telemóvel e quando ele atende o nosso diálogo foi rápido:

- "Onde estás, car#"/$?"

- "Estou aqui mesmo na entrada da feira."

- Despacha-te. Entra aqui no primeiro corredor. Nem imaginas quem está aqui à minha frente. O Kupricka! Despacha-te, merda!! Anda cá tirar-me uma foto com ele antes que se escape."

- Estou a ir. Aguenta-o aí."

E eu aguentei. 

 Estou aqui, fofo! Quando terminares aí, vira-te para mim, sim?

 Ahhh, não te viras? Ok, vou aproximar-me mais. Vais ver que dás pela minha fantástica presença.

Entretanto já estava a marcar território. Assim que ele acabar de falar com estes moços atiro-me ao pescoço dele e não o largo.

Mal arranjo a minha brecha digo logo:

-"Hi, hello... Could you please take a picture with me? I'm your biggest fan in Portugal. You know Portugal?? 

- "I'm sorry, I can't take more pictures, ok? Tomorrow I'll be on the exhibition stand."

Enquanto se vira de costas e agarra na bicicleta para se ir embora entra em cena o Nuno Amaral. Primeiro em inglês e depois, já desesperado, em português à bruta:

-"Come on, man! Just one more. Don't put me in trouble" - Que é como quem diz: "quem é que depois a atura? 

Neste preciso momento ele vira-se já com a bicicleta na mão pronto para a seguir e a esboçar um sorriso de graçola diz:

-"Ok, just on more."


E nunca mais voltei a ser quem era... Todo um mundo novo se me surgiu ali. De repente, os astros alinharam-se e o firmamento ficou mais nítido e ao toque de um esticar de braço. 

Porra, pá!!! É o Kupricka!! Perfeito, perfeito era ter tirado a t-shirt, mas achei que isso era pedir demais.

E por ali continuei todo o resto da semana. Percebi que era melhor a sacar fotos com famosos do que a correr 55km.

Enfim, cada um é p'rókenasce!

 
 François D'Haene (vencedor do UTMB na edição de 2014, quando estive lá e fiz a OCC)

Baby Runners e Ludovic Pommeret (vencedor desta edição do UTMB)

Armando Teixeira (14º lugar e melhor português no UTMB) e meu "colega" de equipa :)))

Outra "colega" de equipa: Lucinda Sousa

Até 2017 Chamonix. Voltarei para o ano, com toda a certeza, mas para dar apoio à prova do Paul Michel, que em 2017 tem entrada direta no UTMB.




29 de agosto de 2016

OCC 2016 - DNF

Já de regresso daquela que foi uma semana fantástica! Apesar de não ter concluído a minha prova vivi em Chamonix, mais uma vez, um ambiente impressionante entre os amantes da montanha.

Sobre a minha prova pouco há a dizer. Fiz cerca de metade do percurso, a chamada meia-dose. Fiquei, como tinha planeado, em Trient, aos 23km. A partir dali sabia bem o que me esperava, a subida para Catogne era implacável. A condição física era má e os 36ºC não estavam a ajudar em nada. Sabia que seria barrada em Vallorcine. Com o meu ritmo era impossível chegar antes da barreira horária.

Cheguei a Trient com um misto de sensações. Teria de desistir porque já não me sentia com coragem para continuar. Mas por outro lado, apetecia-me arriscar. Neste momento, aquele meu lado irracional que me empurra montanha acima na conquista do trilho tentava demover-me da decisão. Mas a verdade é que sabia MESMO que não iria conseguir. Foi aqui que a Anabela e a Macarena se conheceram na verdade. Quando uma queria continuar com o seu espírito apaixonado pela montanha, a outra apelava ao bom senso e fazia-me lembrar os meses anteriores em que pouco treinei.


Como já disse diversas vezes: não foi na passada 5ª feira que desisti… Eu já tinha desistido da OCC há muito… E vocês, que me leem, sabem bem disso.

Meia dose de prova exige meia fotografia

18 de agosto de 2016

Descubra as diferenças


Estou quase de partida. 

Apenas umas palavras. Poucas.

Desta vez, não há stress. O mais provável é que seja uma DNF da OCC. Mas sem dramas e sem histórias.

Aliás, com uma história: simples e perceptível. Dizem por aí: "treino duro, prova fácil". No meu caso será, "pouco treino, prova difícil". Não tenham dúvidas porque eu não tenho.

De resto, estou feliz por voltar a Chamonix e ansiosa por percorrer aqueles trilhos até onde o corpo me deixar.

Talvez com a mente poderosa da Macarena ainda tenha a pequena e secreta esperança de lá chegar :)

Créditos: @JorgeBranco


Até já

1 de agosto de 2016

Ponto da situação

Viva!! 

Digam-me que neste período de férias também andam em modo treino-poucochinho-porque-está-calor?? E quando não é o calor é porque na véspera tive um jantar e deitei-me tarde, e provei aquele vinho e depois bebi aquele gin para rematar a coisa e... Bom, já sabem. Já me conhecem.

De modos que quando olho para este gráfico dá-me aquele arrepio na espinha, à semelhança do mesmo arrepio quando pego no copo de gin e aquilo está a estalar, e fico a pensar que o mais honesto e sério da minha parte é nem sequer alinhar na linha de partida no próximo dia 25 de Agosto.


Não é preciso fazer dramas. No meu caso se não treino não vou conseguir. Há pessoas que não precisam de muito para chegar lá, mas eu preciso. Eu preciso treinar.

Próximo dia 25 de Agosto, se decidir apresentar-me na partida, o mais certo é ficar pelo lago de Champex. Foi dos locais mais bonitos da prova. Tenho uma foto muito bonita com o Paulo Soares:


Faço um treino de 10km e fico por ali numa qualquer esplanada sentada a apreciar a montanha.

Alguém se quer encontrar lá comigo por volta das 11h da manhã? Eu pago a primeira rodada!

18 de julho de 2016

OCC'16

Quase um mês sem escrever. Quase o mesmo tempo sem treinar.

Estou a (quase, quase) um mês de partir para Chamonix, mas a minha preparação está a anos-luz do que deveria estar.

Já desisti de ir fazer o OCC e já voltei com a decisão atrás. Andei este período num impasse entre o vou-não-vou. Um impasse que ainda não está completamente resolvido. Talvez se resolva no dia da prova, na linha de partida.

Há momentos na vida em que carregamos no botão ‘pause’ e saímos do nosso filme. Saímos cá para fora, deixamos de ser protagonistas e passamos a ser espetadores. E quando assim é somos muito críticos e vemos defeitos em muita coisa.

A corrida terá sempre o seu lugar na minha vida. Só não pode é ter um lugar demasiadamente destacado ao ponto de me prejudicar ou fazer-me infeliz. E já existiram momentos em que a corrida deixou-me infeliz.

Aproveitarei o OCC com as suas 14 horas para pensar nisso…

Espero que estas 14 horas cheguem para pensar e que eu chegue antes destas 14 horas.

(A escrita é curta. Tal como têm sido os meus treinos.)

16 de junho de 2016

X Ultra Maratona Caminhos do Tejo


Dois finishers: ele a correr e eu a dar apoio. Percebo agora quando me diz que o parto lhe custou mais a ele do que a mim. Esta prova também me saiu do pêlo.

Não foi fácil, andei 17h36m atrás dele. Estive sempre à espera. Horas a fio. À espera. Ora bebia chá, ora encostava a cabeça ao vidro do carro, ora caminhava para espantar o sono, ou não fazia nada. Simplesmente esperava.

Ele chegava e eu tinha tudo preparado: isotónico, depósito do camelback com água, barras de cereais, etc… Fazia massagens, esfregava-o com protetor solar, trocava-lhe a roupa, molhava-lhe o pescoço e o rosto e dava-lhe um beijo. Repeti isto dez vezes. Começámos às 20h de sexta-feira e terminámos pela hora de almoço de sábado.

Nunca tive grandes dúvidas da dificuldade de uma ultra maratona. Mas desta vez a perceção da dificuldade foi muito diferente. Tive aliás, novas perspetivas do que é uma ultra maratona.

A história desta prova acabou por ter um final diferente. Diferente e difícil.

Pela primeira vez o Paul Michel fez um 3º lugar da geral. É um facto. E como excesso de modéstia também é arrogância admito que fiquei muito contente por ele. Mas acreditem, e sei que alguns acreditam mesmo nisto, o que mais me gratifica é o percurso. O percurso desta prova assemelha-se muito ao seu percurso de vida.

O começar a prova, corrê-la, sofrê-la, vivê-la, morrê-la e terminá-la… Vale qualquer pódio. E isso ele tem-no feito sempre (mesmo quando desistiu nos Pirinéus), de forma honesta, trabalhadora e empenhada.

Paul Michel termina a X Ultra Maratona Caminhos do Tejo, com 144km, e pela primeira vez alcança um 3º lugar da geral. Mas com recurso a doping, admito já. Em cada posto de abastecimento estava o seu doping: o abraço, o afago, o beijo e as palavras de ânimo da mulher, dos filhos e até da sogra. E isto, meus amigos, é um doping infalível e seguríssimo, daqueles que ninguém desconfia e não acusa quando se faz xixi no copinho.

Fica a dica para todo o mundo da corrida...

Além deste 3º lugar, classificou-se ainda, e como sempre, em 1º lugar na admiração que eu e mais algumas pessoas sentem por ele. 

Depois do que vi, vivi e senti a minha admiração por ele cresceu muito mais depois desta prova. Muito mais…

Uma palavra de apreço aos elementos dos postos de abastecimentos que foram incansáveis na simpatia e dedicação. Em especial, aos postos de abastecimento de Azambuja, Valada, Santarém (e aqui uma menção especial ao massagista), Santos e Olhos de Água. 

Deixo-vos com alguns registos desta epopeia.


A caravana de apoio

A partida








Não temos fotos da chegada à meta. É uma pena... Estranhamente não encontro registos desse momento. Fica para uma próxima.







"Olhe, desculpe, o caminho para o Valle D'Aosta, para o Tor des Geants?"

"Meu amigo, na dúvida é p'ra cima!"