12 de setembro de 2018

Tor des Géants - atualização_#2

Neste momento o Paul Michel já fez cerca de 200km. E neste momento que vos escrevo já existem dois finishers, com 74h de prova (+-).




Hoje, pelas seis da manhã, o telefone tocou. Só fez uma queixinha: "estou com muita pieira, preciso mesmo descansar..."

Daqui deste lado eu tinha, pelo menos e assim de repente, umas sete queixinhas para fazer mas decidi calar-me e ouvi-lo. Afinal de contas acho que foi para isso que me ligou, para eu o ouvir.

Parou 4h e meia em Gressoney e saiu pela hora de almoço. 

No geral, a Armada Lusa continua toda em campo, o que para já é uma balanço positivo 'trés géants'. Assim se mantenham todos.

Ontem alguém me lembrou e com toda a razão: a prova começa é hoje!!

Vamos acompanhando.

10 de setembro de 2018

Tor des Géants - atualização_#1

Ora bem, chegados ao dia de hoje sei muito pouco do Paul Michel. Sei tanto quanto vocês, ou seja, sei apenas aquilo que o live tracking da prova me permite "ver".

Aparentemente, vai bem. Aaaapaaaaarentemente. Sublinho.

Mais uma vez, caso não tivesse nenhum infortúnio, ele tinha uma estratégia delineada que tentaria cumprir. A minha modesta opinião é que neste tipo de provas, pouco valem as estratégias, porque são tantos os imponderáveis, são tantos os azares, são tantas as sortes que basta uma ou outra novidade e lá vão os planos. Ainda assim é bom ter uma orientação daquilo que gostaríamos de tentar cumprir e, quem sabe, até superar.

Foi o que aconteceu há dois anos. Um queda aos 60 ou 80km (já não me lembro bem) virou os planos do avesso. Ou melhor, deixou de haver planos. Acho que se deve ter uma estratégia, sim. Mas nestas provas convém ter um plano A, B, C até Z.

O Paul Michel já fez cerca de 1/3 da prova. Tem parado alguns minutos (por vezes, meia hora) nos postos de abastecimento. 

Neste momento que vos escrevo está entre Cogne e Champorcher. Fez pouco mais de 100km.

O meu palpite é que ele vai fazer as cem milhas (+- 170km) sem dormir. E depois então... Não sei.

Uma coisa é certa. Esta prova só começa lá para quarta-feira. Até lá isto é um passeio no parque. :)


Vamos acompanhando no site da prova aqui e tendo esperança que o telefone toque e do outro lado da linha oiça: "aiii, estou todo "#$%&/..."

É sinal que está bem, portanto.


8 de setembro de 2018

Tor des Géants - Já estão na meta


Verdade! O Paul Michel e o Pedro Conde já estão na meta. E que bem que estão!


Amanhã, domingo, pelas 12h locais (11h em Portugal) dá-se início a uma das provas mais bonitas da Europa. Uma volta, à volta, de quatro montes gigantes, todos eles acima de 4000m de altitude: Monte Cervino, Monte Branco, Gran Paradiso e Monte Rosa.

Vou acompanhar a prova com especial atenção à Armada Lusa.

Coragem e boa sorte (que também é preciso!)

29 de agosto de 2018

Tor des Géants 2018

Pela segunda vez o Paul Michel vai até ao Vale D'Aosta (tentar) percorrer 330km com 24.000D+.

Para ele, esta é A PROVA. A maioria das pessoas acha que foi a MDS. Mas não. Foi esta. Nunca escrevi sobre a sua participação em 2016. Mas tanto haveria para escrever: a queda aos 60km, a solidão de abastecimento em abastecimento, o choro, o arrastar do saco da Grivel, o cheiro nauseabundo da ferida, a desilusão ao chegar à meta...

Talvez por haver tanto a dizer, nada foi escrito.

Este post serve apenas para desejar toda a sorte do mundo (que também é preciso) aos portugueses. Dos cinco que se vão arriscar conheço dois: o Paul Michel e o Pedro Conde. Mas para todos vai o meu apoio e votos de concretização dos seus objectivos.



Estarei ao longe a acompanhar.

5 de março de 2018

No creo en novedades, pero que las hay, hay



Já não passava aqui faz uns cinco meses… Bolas!

Como disse no último post: fechou-se um ciclo. Quer para mim quer para o Paul Michel. Por motivos diferentes, mas fechou-se um ciclo. A seu tempo darei mais novidades.

Roubando um termo desse outro grande espaço Tertuliano da blogosfera: deixámos de ser papakilómetros. Ou seja, atravessámos um período de dois quase três anos em que não havia prova ou corrida em que não aparecêssemos. E foi bom, foi muito bom.

Mas esse tempo já lá vai. Admito que o gozo de ir às provas desvaneceu-se um pouquinho. Para terem uma noção este ano só irei participar no Estrela Grand Trail, na prova dos 25km. O Paul Michel vai fazer a Ultra, com 109km.

E em setembro?… Vai voltar ao Tor des Géants. É parvo? É. Pronto. Quer lá voltar. Ficou com a prova atravessada na garganta. Vá-se lá perceber a cabeça de um homem.

Da minha parte tenho corrido menos, mas treinado mais. Tenho feito outras atividades, nomeadamente (alguma) natação, mas sobretudo musculação. Acho que tenho andado mais feliz e mais motivada. O facto de fazer outras coisas tem funcionado bem comigo. Devem lembrar-se que, por vezes, stressava um pouco com os treinos. Ou porque eram difíceis e não conseguia cumpri-los, ou porque não conseguia gerir a logística familiar/profissional, ou porque… Qualquer coisa.

Nesta fase, ando mais descontraída a treinar, mesmo tendo planos de treinos para cumprir.

Vou tentar vir aqui com mais frequência para vos dar mais algumas novidades, porque las hay…

9 de janeiro de 2018

Estrela Grande Trail



É o 3 em 1. Tem tudo!!

Ele é teoria, sobre como preparar ultra maratonas; ele é conversa sobre o próximo evento com a chancela EGT - Estrela Grande Trail; ele é parte prática, com um treino em Monsanto ao lado dele mesmo, o próprio Armando Teixeira; ele é autógrafos nas t-shirts dados por mim a quem pedir...

É o que quiserem!! Apareçam, dia 3 de Fevereiro pelas 14h no Clube VII (situa-se no Parque Eduardo Sétimo em Lisboa)

Para isso inscrevem-se em http://www.estrelagrandetrail.pt/




Encontro-vos lá?

21 de setembro de 2017

Ultra Trail de Mont Blanc 2017



Foi toda uma aventura à volta do Monte Branco.



Era impensável imaginar o que passámos, tudo o que vivemos. As alegrias e as angústias, abastecimento após abastecimento, sempre à espera e curiosos de ver a expressão do Paul Michel. Seria a expressão do desalento? Seria a expressão de quem trazia a faca nos dentes? A primeira coisa que fazia era fitar-lhe o olhar. Já o conheço. E digo para mim: “ele já vem com aquele olhar…” Os miúdos ficavam nervosos e estavam sempre a pressioná-lo para correr. No seu pequeno imaginário ainda lhes passava pela cabeça que o pai até pode vir a chegar à meta numa posição da frente. Mas a meio da prova perceberam, mesmo a sério, que a grande motivação do pai e dos outros era chegar ao fim.



Dois dias e duas noites de carro atrás do rasto. Atrás do rasto de um homem que em Novembro de 2012 decidiu que teria de mudar a sua vida. Deixar para trás 103kg, comprimidos para a tensão arterial e colesterol e tentar correr, pelo menos, ao ritmo da mulher. Meu Deus!! Como tu eras… Pensar que não me acompanhavas a correr…


Desde 2012 que te sigo o rasto. Escrevo sobre ti, (agora!!) corro atrás de ti e ultimamente dou-te apoio em provas. Carregada de saco ao ombro já conhecem “a menina do saco da Grivel,  lá vem ela com quilos de material ao ombro e um filho de cada lado”.


Levas sempre tudo. Levas sempre o saco carregado com tudo em excesso e a dobrar. Tal e qual o nosso coração: vai sempre cheio e a transbordar. Em cada abastecimento também abrimos o nosso coração e tiramos de lá (não géis, nem barras, nem Rehidrat), mas sim motivação e força. Tudo isto também levamos em excesso. A vantagem é que não pesa nem ocupa espaço. Dá para levar às arrobas.

Não tenho dúvida que os nossos filhos aprenderam por estes dias muitas coisas. Muitas mais certamente do que num ano inteiro enfiados em salas de aula ou a ouvir-nos ralhar com eles quando insistimos que devem ser assim ou assado ou devem fazer frito ou cozido. Estas experiências enriquecem e enaltecem valores que dificilmente são transmitidos por palavras.


Eu aprendi uma coisa importante: nas ultradistâncias, como na vida, devemos seguir etapa a etapa. Em cada etapa alcançada devemos rever todo o plano e confirmar a linha de continuidade que queremos seguir. Pode dar-se o caso de ser necessário mudar tudo ou apenas fazer pequenos ajustes. Passos curtos e pensados levam-nos mais longe. Ou pelo menos com maior probabilidade levam-nos ao fim.


"Pai, se quiseres desistir dá-me o dorsal que eu continuo..." ou então "Mãe, um dia fazes comigo a OCC?" - estas expressões arrancam-nos sorrisos do rosto mesmo depois de uma noite em branco e um cansaço acumulado que quase não nos deixa responder com entusiasmo. Aliás, foram as palavras deles que me ajudaram a suportar momentos de verdadeira exaustão. Cheguei a dizer: "fod"#$%&, antes fazer uma prova..."

No regresso a casa conversávamos sobre os desafios do próximo ano. Ficámos em silêncio. Uma prova apenas? Repetimos o Tor des Géants mas desta vez com apoio? Fazemos apenas provas de 10km em estrada? Fazemos uma prova apenas algures no outro lado do mundo e aproveitamos e fazemos férias em família? 

Com isto: “fecha-se um ciclo” – as palavras são tuas, não minhas. 

Faça-se o que se fizer será sempre da mesma forma: "põe quanto és no mínimo que fazes" - as palavras não são minhas, são de Ricardo Reis.



Quatro finishers!