18 de agosto de 2016

Descubra as diferenças


Estou quase de partida. 

Apenas umas palavras. Poucas.

Desta vez, não há stress. O mais provável é que seja uma DNF da OCC. Mas sem dramas e sem histórias.

Aliás, com uma história: simples e perceptível. Dizem por aí: "treino duro, prova fácil". No meu caso será, "pouco treino, prova difícil". Não tenham dúvidas porque eu não tenho.

De resto, estou feliz por voltar a Chamonix e ansiosa por percorrer aqueles trilhos até onde o corpo me deixar.

Talvez com a mente poderosa da Macarena ainda tenha a pequena e secreta esperança de lá chegar :)

Créditos: @JorgeBranco


Até já

1 de agosto de 2016

Ponto da situação

Viva!! 

Digam-me que neste período de férias também andam em modo treino-poucochinho-porque-está-calor?? E quando não é o calor é porque na véspera tive um jantar e deitei-me tarde, e provei aquele vinho e depois bebi aquele gin para rematar a coisa e... Bom, já sabem. Já me conhecem.

De modos que quando olho para este gráfico dá-me aquele arrepio na espinha, à semelhança do mesmo arrepio quando pego no copo de gin e aquilo está a estalar, e fico a pensar que o mais honesto e sério da minha parte é nem sequer alinhar na linha de partida no próximo dia 25 de Agosto.


Não é preciso fazer dramas. No meu caso se não treino não vou conseguir. Há pessoas que não precisam de muito para chegar lá, mas eu preciso. Eu preciso treinar.

Próximo dia 25 de Agosto, se decidir apresentar-me na partida, o mais certo é ficar pelo lago de Champex. Foi dos locais mais bonitos da prova. Tenho uma foto muito bonita com o Paulo Soares:


Faço um treino de 10km e fico por ali numa qualquer esplanada sentada a apreciar a montanha.

Alguém se quer encontrar lá comigo por volta das 11h da manhã? Eu pago a primeira rodada!

18 de julho de 2016

OCC'16

Quase um mês sem escrever. Quase o mesmo tempo sem treinar.

Estou a (quase, quase) um mês de partir para Chamonix, mas a minha preparação está a anos-luz do que deveria estar.

Já desisti de ir fazer o OCC e já voltei com a decisão atrás. Andei este período num impasse entre o vou-não-vou. Um impasse que ainda não está completamente resolvido. Talvez se resolva no dia da prova, na linha de partida.

Há momentos na vida em que carregamos no botão ‘pause’ e saímos do nosso filme. Saímos cá para fora, deixamos de ser protagonistas e passamos a ser espetadores. E quando assim é somos muito críticos e vemos defeitos em muita coisa.

A corrida terá sempre o seu lugar na minha vida. Só não pode é ter um lugar demasiadamente destacado ao ponto de me prejudicar ou fazer-me infeliz. E já existiram momentos em que a corrida deixou-me infeliz.

Aproveitarei o OCC com as suas 14 horas para pensar nisso…

Espero que estas 14 horas cheguem para pensar e que eu chegue antes destas 14 horas.

(A escrita é curta. Tal como têm sido os meus treinos.)

16 de junho de 2016

X Ultra Maratona Caminhos do Tejo


Dois finishers: ele a correr e eu a dar apoio. Percebo agora quando me diz que o parto lhe custou mais a ele do que a mim. Esta prova também me saiu do pêlo.

Não foi fácil, andei 17h36m atrás dele. Estive sempre à espera. Horas a fio. À espera. Ora bebia chá, ora encostava a cabeça ao vidro do carro, ora caminhava para espantar o sono, ou não fazia nada. Simplesmente esperava.

Ele chegava e eu tinha tudo preparado: isotónico, depósito do camelback com água, barras de cereais, etc… Fazia massagens, esfregava-o com protetor solar, trocava-lhe a roupa, molhava-lhe o pescoço e o rosto e dava-lhe um beijo. Repeti isto dez vezes. Começámos às 20h de sexta-feira e terminámos pela hora de almoço de sábado.

Nunca tive grandes dúvidas da dificuldade de uma ultra maratona. Mas desta vez a perceção da dificuldade foi muito diferente. Tive aliás, novas perspetivas do que é uma ultra maratona.

A história desta prova acabou por ter um final diferente. Diferente e difícil.

Pela primeira vez o Paul Michel fez um 3º lugar da geral. É um facto. E como excesso de modéstia também é arrogância admito que fiquei muito contente por ele. Mas acreditem, e sei que alguns acreditam mesmo nisto, o que mais me gratifica é o percurso. O percurso desta prova assemelha-se muito ao seu percurso de vida.

O começar a prova, corrê-la, sofrê-la, vivê-la, morrê-la e terminá-la… Vale qualquer pódio. E isso ele tem-no feito sempre (mesmo quando desistiu nos Pirinéus), de forma honesta, trabalhadora e empenhada.

Paul Michel termina a X Ultra Maratona Caminhos do Tejo, com 144km, e pela primeira vez alcança um 3º lugar da geral. Mas com recurso a doping, admito já. Em cada posto de abastecimento estava o seu doping: o abraço, o afago, o beijo e as palavras de ânimo da mulher, dos filhos e até da sogra. E isto, meus amigos, é um doping infalível e seguríssimo, daqueles que ninguém desconfia e não acusa quando se faz xixi no copinho.

Fica a dica para todo o mundo da corrida...

Além deste 3º lugar, classificou-se ainda, e como sempre, em 1º lugar na admiração que eu e mais algumas pessoas sentem por ele. 

Depois do que vi, vivi e senti a minha admiração por ele cresceu muito mais depois desta prova. Muito mais…

Uma palavra de apreço aos elementos dos postos de abastecimentos que foram incansáveis na simpatia e dedicação. Em especial, aos postos de abastecimento de Azambuja, Valada, Santarém (e aqui uma menção especial ao massagista), Santos e Olhos de Água. 

Deixo-vos com alguns registos desta epopeia.


A caravana de apoio

A partida








Não temos fotos da chegada à meta. É uma pena... Estranhamente não encontro registos desse momento. Fica para uma próxima.







"Olhe, desculpe, o caminho para o Valle D'Aosta, para o Tor des Geants?"

"Meu amigo, na dúvida é p'ra cima!"




7 de junho de 2016

Foi o próprio Paul Michel quem citou...


"O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova..."

Confiança, Torga Miguel


(10 junho 2016 - Lisboa/Fátima - 144Km)


(Próxima 6ª feira estaremos a sair de Lisboa: ele a correr, eu de carro, direitos a Fátima. Será esta mais uma etapa na preparação do grande desafio do ano Tor des Geants: para ele a correr, para mim a aturar o seu mau feitio).

31 de maio de 2016

IV Trail da Pampilhosa da Serra


Já não preciso dizer mais nada, pois não?

Tem trail, tem paisagens lindíssimas, tem a natureza no seu esplendor, tem banho no rio Unhais, tem (paletes de grades de) mines frescas, tem porco assado, tem arroz de feijão, tem grupos de danças e cantares, tem os bolos que a malta do norte costuma trazer (aqueles que nos roubam sempre o caneco!!)...

...Tem gentes da terra, pá!! Basta isso!!



Mais um ano, mais uma edição em que vou desafiar os meus amigos a correr pela SPEM!

Está tudo aqui para tratar das inscrições.

25 de maio de 2016

Material obrigatório no trail

- Autor: Miguel Catarino -

E o apito? E as calças impermeáveis com o sol que se prevê? E a t-shirt de manga comprida? E a lanterna? E...
Preciso mesmo?
Tanta pergunta!
O que me assusta é que quem faz estas perguntas, não tem noção absolutamente nenhuma do que é a montanha. Ou se tem, tem muito pouca.
O pior é que são cada vez mais a questionar e isso assusta-me. O Trail está a crescer e muitas pessoas passam de correr na marginal para ir correr para a montanha sem terem noção que quando as coisas na montanha correm mal, é tudo muito pior.
O material obrigatório devia chamar-se: Material que eu vou precisar se me perder na montanha e tiver de pernoitar por lá, material que vou precisar se partir um pé e tiver de ficar horas à espera de um resgate, material que tenho de ter para se as condições climatéricas mudarem drasticamente conseguir sobreviver.
Normalmente as coisas correm bem e tudo acaba bem e as pessoas perguntam o porquê de ter carregado tanta "tralha" para nada. Pois é. O pior é quando corre mal!
Tenho imensas histórias na montanha, mas conto uma muito simples.
Num TrailCamp, saímos do Rossim com muito bom tempo. Sorridentes, subimos pelo vale glaciar a caminho da Torre. Ao chegar lá acima, as condições mudam drasticamente e de repente parecia que estávamos no inferno.
Ventos fortíssimos, muito frio e visibilidade reduzidíssima. Todos começamos o dia descapotáveis e todos tivemos de utilizar o que tínhamos na mochila (o tal material pesado e chato que incomodou na parte que estava sol). Foi o impermeável, as calças, o gorro, as luvas,...
A navegação até ao Rossim, pelo maciço central, foi feita por gps. Não se via mariolas, nem trilho, nem nada.
Se fosse durante uma prova, ou as marcações estavam de 2 em 2 metros, ou metade da malta ia-se perder.
Perder? Ok...qual é o stress?
É mesmo muito! Só quem já passou por isso é que sabe.
Lembrem-se que caminhos para Norte existem milhares, mas muitos passam em precipícios!
A melhor decisão é parar e esperar que a situação melhore.(caso não tenham gps)
Parar implica arrefecer muito, e em condições severas todo o material vai ser pouco.
Pode acontecer o mesmo à espera de um resgate. (lembro-me de um tipo no CCC que depois de torcer um pé, quase morria de hipotermia à espera que o socorressem, mesmo embrulhado na manta térmica. Valeu alguns atletas q o auxiliaram)
No meio da montanha um resgate demora horas! Horas!
O que eu acho que devia ser boa prática, pode parecer utópico, mas fica o conselho:
- Antes de se aventurarem em provas de trail, todos deviam fazer um curso de montanhismo, ou vir a um dos nossos TrailCamps.
Tenho a certeza que as perguntas do material obrigatório e os porquês acabavam.
- Estudar muito bem o sítio para onde se vai correr é obrigatório. Saber ler cartas militares, perceber a geografia do terreno que vamos pisar, permite-nos estar mais à vontade. Responder a perguntas simples como por exemplo: Quando estiver a correr em direção à torre no planalto central, é suposto o sol estar onde? Na minha esquerda, de frente, da direita? Vou cruzar linhas de água? Quantas? Etc.
- Levar sempre, repito, sempre, um gps. Se não for com o track da prova inserido( o que aconselho caso até tenham dúvidas na marcação) pelo menos que grave o track que estão a fazer. A função trackback já me safou muitas vezes!
- Caso possam (é um bocado caro) levem convosco um Spot. Eu quando vou sozinho, considero-o o meu melhor amigo. ( o spot é um aparelho que permite pedir socorro e localizarem-te em locais onde não podes utilizar o telemóvel)
Perceber que a montanha é um local fantástico, mas que de repente pode ser a nossa última morada, é ser sensato.
A montanha tem riscos. Temos é de ter consciência deles e tentar minimizá-los.
Havia muito mais a dizer. Eu já passei por muitas situações de risco e continuo a aprender. Tenho tido tb alguma sorte nesta aprendizagem.
Não sou nenhum anjinho!

Espero que este post (para os q tiverem pachorra de ler tanto) permita as pessoas que tanto perguntam, pararem para refletir um bocadinho. Se no final disserem que faz sentido, fico contente.

(Não retiro uma vírgula.)