8 de maio de 2013

Me & Haruki Murakami

 Há umas semanas disse aqui que quando fizesse este post comentaria cada uma das citações. Pois esqueçam lá isso. Não vale a pena. Há aquela frase que diz "uma imagem vale mais que mil palavras". Pois neste caso as citações por mim escolhidas não precisam de explicações nem comentários. São como imagens.

Tal como toda a escrita de Haruki Murakami estas frases são transparentes, límpidas, claras como a água.

Quando lia o livro debaixo do chaparro alentejano, estas passagens deixaram-me com falta de ar, de tão "reais" que são para mim. Nenhum escritor que não fosse simultaneamente corredor conseguiria escrever assim. E é por isso que sou duplamente fã de Murakami: escreve bem e corre melhor!

Por isso, minhas amigas e meus amigos, sem lamechices, quero partilhar convosco algo que me fez muito bem: ler este livro. E por isso partilho parte dele.



"Enquanto corro, vou dizendo a mim mesmo para pensar num rio. Pensa nas nuvens, digo. Mas no fundo não estou a pensar em nada de concreto. Continuo, pura e simplesmente, a correr nesse confortável vazio que me é tão familiar, no interior do meu nostálgico silêncio. E isso é qualquer coisa de profundamente maravilhoso. Digam o que disserem."


"Começo a correr ao longo da estrada, lentamente, quase a arrastar os pés. Passa por mim uma velha senhora, no seu tranquilo passeio diário, e eu nem sequer consigo alcançá-la, isto só para verem do que a casa gasta. À medida que progrido no terreno, porém, os músculos relaxam e, vinte minutos mais tarde [no meu caso cerca de trinta], permito-me correr como as outras pessoas. Ponho-me então a acelerar, após o que continuo a correr mecanicamente, sem nenhum problema. Por outras palavras, os meus músculos são daqueles que precisam de tempo para aquecer. Revelam-se lentos no arranque."


"O importante não é competir com o tempo. Para mim, agora, o que interessa é a satisfação de chegar ao fim dos quarenta e dois quilómetros [no meu caso, para já, vinte e um], que é a duração da corrida, e o prazer que isso me poderá proporcionar. As coisas que aprecio e a que dou valor não se traduzem em números. O que me norteia é a busca de um sentimento de orgulho um pouco diferente na sua origem do que tinha até à data."


"Cortar a meta, nunca andar a passo e ter prazer na corrida em si. São esses, por ordem, os meus objectivos."  [Aqui fiquei com pele de galinha].


"Para um corredor como eu, o que verdadeiramente importa é conseguir os objectivos que me proponho, ir até onde as minhas pernas me levam. Dou tudo o que tenho, aguento tudo o que tenho de aguentar, e obtenho, à minha maneira, o que para mim conta. De cada falhanço, de cada alegria, procuro tirar sempre uma lição concreta. (Não importa que seja minúscula, basta que seja concreta.) Com o tempo, à medida que os anos forem passando, contando desde já com as corridas que hã-de vir, acabarei por alcançar o meu lugar de eleição. Ou talvez, quem sabe?, apenas um lugar que se aproxime vagamente disso. (Sim, esta é a melhor maneira de pôr as coisas, sem sombra de dúvida.)"

Por isso...


6 comentários:

  1. Eu próprio não diria melhor. ;)
    É isso tudo, sem tirar nem pôr.

    Beijos!!!

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    1. E quem escreve assim não é coxo!

      Beijos :)

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  2. Muito bom. Já ando há algum tempo para ler Murakami, e esse livro em particular vai ter de fazer parte das próximas leituras. De momento ando a "devorar" 50/50 do Dean Karnazes.
    Beijinhos e boas corridas.

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    1. Também tenho essa na prateleira em fila de espera!! :)

      Beijinho e boas corridas!

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  3. - Partilho mais duas citações (do mesmo livro):

    "...a dor é inevitável todavia o sofrimento é uma opção..."

    "...tenho como objectivo o eu anterior..."

    Beijos e abraços

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    1. Muito bem! Outras duas bonitas citações.
      Hoje alguém me dizia: "mas, nesse livro, há frases muito mais bonitas do que as que escolheste".

      Mas eu não escolhi estas por serem bonitas, escolhi-as porque são "minhas"!

      Boas corridas, Paul Michel ;)

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