29 de abril de 2013

Eu ouvi um passarinho... Às 4 da madrugada...

Quer dizer, já uma pessoa não pode ir para fora quatro diazinhos que quando regressa está instalado o pânico na blogosfera!

Uns foram à prova Corrida da Liberdade, outros foram à meia-maratona de Almada, outros tiveram o descaramento de ir às duas provas... Mas que vida é a nossa? Hein? Já não há consideração por quem não pode ir a nenhuma?

Mas fiquem vocemessês sabendo que eu também fui a uma prova! Ah pois é! A uma prova de vinhos!







 Cá esta a prova que eu fui a uma prova!

Realmente! Pensavam que me passavam a perna, era? Assim sem mais nem menos... Agora é a minha vez de fazer inveja. 
 
Nestes dias tivemos o privilégio de conhecer a CARMIM (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz) e fazer uma prova de vinhos. Visitámos a zona industrial da cooperativa e fizemos todo o trajecto da produção do vinho: desde a recepção da uva até ao vinho engarrafado.

Seguiu-se um jantar enogastronómico no Centro Náutico de Monsaraz que nos recebeu com uma simpatia e dedicação extrema. O jantar e o convívio entre os participantes foram um dos pontos altos deste dia.

Foram quatro dias absolutamente 'stressantes' no meu Alentejo (não que seja alentejana de origem, sou uma espécie de 'tunning' no que à naturalidade diz respeito. Ou seja, não sou alentejana, mas podia ser. Tinha tudo para ser alentejana, mas quis o destino que nascesse alfacinha de gema... Enfim, tenho pena... Gostava de ter uma "terra". Depois resolvi o assunto adoptando uma). Adiante...

Nunca a corrida esteve tão presente numas férias. Acordámos sempre cedo e após o pequeno almoço era tempo de ir até à piscina aproveitar o sol, o canto dos pássaros e devorar o livro do Haruki Murakami Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo, que muitos de vós já devem ter lido (se não é o caso devem mesmo lê-lo).





A propósito deste livro gostava de vos citar algumas passagens com as quais me identifico enquanto corredora. Atenção que qualquer semelhança entre mim e o Murakami é puro devaneio, ok? Mas há passagens neste livro que eu poderia escrevê-las, já que as sinto da mesma forma.

Mas vou deixar isso para um próximo post porque ainda são uma meia dúzia de citações e gostava, para cada uma delas, de tecer alguns comentários. Fica para depois.

O mais engraçado é que quer eu quer o Paul Michel estamos a ler o mesmo livro e até nisto andamos em corridas: "vais em que página? Já cheguei ao capítulo 4. E tu? Já chegaste à parte em que ele está a descrever a ultra-maratona?" Sempre ao despique.

Ganhei eu! Cheguei primeiro à meta com um tempo absolutamente fantástico: dois dias, uma manhã e três horas de uma tarde!

Continuando. Não obstante o Alentejo ser uma das regiões portuguesas onde a gastronomia é um ex libris fazíamos questão de comer pouco ao almoço, porque depois vinha a sesta debaixo do chaparro e ao fim do dia era tempo de correr.

Fizemos 10km todos os dias, entre montes e vales, subidas e descidas e tendo apenas como companhia a bicharada da região: lebres, faisões, cães, formigas, cavalos.


 Todos os dias este amigo vinha junto da sebe para nos cumprimentar. Reparem na cor dos campos: o lilás, o amarelo, o verde e o branco. O meu Alentejo é ou não é lindo?
 

 De partida.
 

A chegar e a soprar. Quem disse que o Alentejo é planície?


 Eu sei que isto é feio, mas ele estava a pedi-las. "Só chegaste agora? Fraquinha..."
 
 

 A posição também não é a mais elegante, mas é o que se pode arranjar depois de 10km.


A corrida foi, sem dúvida, o mote para estes dias. A região já é para nós conhecida e por isso não nos perdemos muito em passeios e descobertas, apenas nas descobertas dos trilhos entre os campos e as vinhas alentejanas.

Quando se corre neste tipo de paisagem temos tempo para apreciar não só as vistas, mas sobretudo os cheiros e os sons. Desta vez deixei de lado a música que habitualmente me acompanha e preferi ouvir o som dos meus pés a bater na terra, o chilrear dos pássaros, as águas a descer as ribeiras e, por tudo isto, ainda ter tempo para agradecer a Deus esta dádiva: a possibilidade de usufruir, na minha opinião, do que mais belo tem o meu país: as paisagens, as gentes, a gastronomia.

Deixo-vos com algumas imagens destes quatro dias onde a natureza e a corrida andaram sempre de mão dada.


















A vista do quarto.
 



Fomos a Mourão "lanchar" uma sopa de cação, um prato de chouriço de porco preto, um queijo de ovelha, três azeitonas e uma garrafa de Vidigueira branco.
Agora vai correr, vá...
 
 
Uma das salas da Adega Velha.


Outra sala. Pitoresca, não acham?
 
Boas corridas!

6 comentários:

  1. Tudo o que é do Alentejo é bom!

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  2. Só digo uma coisa, INVEJA!!!
    Mas eu fui ás duas provas... embrulha. :P

    Beijos!!! ;)

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    1. :))) Grande galdério, Pedro!!!
      Beijinhos ;)

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  3. Já li o livro, sou alenteja de gema (do Baixo) e já almocei e muito muitas vezes na Adega Velha ... Acho que me identifiquei com o post :)

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    1. Caramba, e não tens defeitos?? É só qualidades?? :)))

      Só tenho uma costela alentejana, gostava de ter nascido lá. Adoro tudo no Alentejo, não há nada em que ponha defeitos...

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