26 de novembro de 2013

(UTAM) Ultra Trail Amigos da Montanha - Love is in the air


Venho aqui entregar o peito às balas! Vá, atirem! Aproveitem que é este o momento. É agora que me podem chamar nomes, atirar pedras e vaiar! Depois daqui em diante calam-se para sempre e só me dizem coisas boas, ok?

Cá vai então: fui a Barcelos, ao Trail Amigos da Montanha e... Parti às 8h50m da linha da meta rumo aos 30km. Fui, fiz os 30km em 5h05m e cheguei à meta sem (grandes) dores! Só assim com um formigueiro...

A minha mochila levava tanto Isotónico quanto Voltaren Rapid!

O relato desta Ultra-Prova seguirá em breve, mas para já quero apenas adiantar-vos que tudo e todos tiveram um final feliz (excepto o meu amigo Paulo Tavares a quem mando daqui um abraço com votos de rápidas melhoras). Foi um fim-de-semana recheado de surpresas e momentos de ir às lágrimas (literalmente!!). O dia da prova teve várias cenas tipo filme de Hollywood!

Do nosso lado foram batidos quatro records de distância: eu e a Ritta, nos 30km, o Paul Michel e o Peter Days, nos 61km! Trouxemos na bagagem uma mão cheia de records pessoais! Toda a minha gentinha estava com bom ar e todos terminaram a prova com sorrisos de fazer campanhas publicitárias a dentífricos.

Mas houve mais surpresas! Depois conto!

Outro grande acontecimento marcante desta prova (e faço aqui referência porque as redes sociais já estão a bombar com esta notícia!) foi um pedido de casamento na meta! Eu não vos disse que foram só finais felizes ao estilo de Hollywood? Nem imaginam a carga emocional deste dia!...

Ele, percorre 61km com um anel de noivado na mochila e dores no joelho. Perto do km20 o Paul Michel avista-o e pergunta-lhe como está. Ele responde que está bem e muito focalizado em terminar a prova e pedi-la em casamento. Estivemos cerca de duas horas na meta à espera dele, com máquinas fotográficas em punho (como lhe havia prometido há três semanas atrás). Ele chega à meta já com lágrimas nos olhos, emocionado por ter terminado aquela dura prova. Passa a meta, ela avista-o e abraça-o. Ele afasta-a por momentos. Tira a mochila, ajoelha-se e pede-a em casamento. Ali.

Eu vi tudo. Toda a gente viu. Toda a gente aplaudiu! Toda a gente fotografou! Confesso que me emocionei-me naquele momento (mas eu sou uma mijona e perante cenas destas não consigo conter as lágrimas). Ele faz 61km, sobe montes, desce ravinas, atravessa rios, corre... E ela espera-o na meta, espera apenas o abraço da vitória. Mas nunca esperava um anel de noivado.

Vejam...




Acho que a sigla UTAM, no futuro, também poderá significar:

ULTRA TRAIL DO AMOR NA MONTANHA!

Peter Days e Ritta Bramble trés énamouré

Paul Michel et moi même aussi énamouré

Vá, agora deixem-me ir escrever o relato desta prova. Já volto aqui. Até já!

20 de novembro de 2013

Corrida do Monge: estava tudo a correr tão bem...

... Quando, ao km8, catrapumba! Esbardalhanço, com voo incluído, em pleno monte.

Corrida do Monge, estão a ver? Ali no km8? Segunda árvore do lado direito a seguir ao tronco que estava atravessado no caminho? Estão a ver? Até tinha no chão umas folhas secas de eucalipto?

Pois, mas não foi aí. Foi um bocadinho mais à frente...

Caí, rebolei e fiquei com a cara no chão. Virei-me ao contrário e sem me levantar vejo duas caras por cima de mim a perguntar se estava bem. Estendi-lhes a mão e puxaram-me. Claro que estava a doer-me o tornozelo, mas comecei lentamente a caminhar. Entretanto, surge a Ritta, para me ajudar mas eu digo-lhe para seguir e que estou bem. Lá segui e consegui correr. Como estava "quente" não senti dores enquanto corria, nem quando cortei a meta. Fiz ainda quatro quilómetros e creio que o mal foi esse. Só piorei a situação. Se tivesse encostado logo ali às boxes... É aquela cena de não desistir, de não parar. E como não estava com dores insuportáveis, lá segui.

Depois de cortar a meta e do habitual convívio fui tomar banho e almoçar ali na zona de Sintra. Sensivelmente a meio do almoço comecei a ter dores horríveis, como nunca tinha tido até hoje. Para me levantar da mesa do restaurante já só o consegui fazer ao pé-coxinho e levada em ombros. Saí dali rumo ao hospital. O raio-x não deu nada partido. Por isso a "sentença" foi a mais conhecida: repouso, gelo, anti-inflamatório.

Corridas e corridinhas... Por agora... Esquece!

E daqui salto já (salvo seja!!) para outro assunto que me está a consumir a alma: a minha próxima prova já no domingo, o Trail Amigos da Montanha. Iria fazer 30km já este domingo, mas... Acho que não dá. A minha médica de coração disse-me para não fazer, sob pena de arranjar aqui um problema grave. É que nem sequer é uma corrida de estrada, é outra vez!!! uma corrida no monte, caramba!

Psicologicamente vais formatada para ter cuidado e só isso vai fazer com que pises o terreno com cautela, logo o mais certo é ires tão cuidadosa que ao mínimo deslize... Lá vais tu outra vez! Por outro lado, era a minha grande prova esta temporada! 30km... Snif, snif... E se não tiver dores até lá? Podia ir.... Devagarinho, com cautela... Mas e se me entusiasmo?

Da Corrida do Monge trago esta má sorte, mas não foi por isso que não gostei de ir até à Malveira da Serra. A corrida tem um percurso notável, muito bonito. A prova em si esteve muito bem organizada, vê-se que se trata de uma organização "caseira" mais ainda assim muito funcional, e é isso que se quer, que as coisas funcionem bem e funcionaram muito bem: desde a entrega dos dorsais até à entrega do saco de participante, com o célebre pão com chouriço, tudo correu lindamente. Durante o percurso tínhamos vários pessoas a vigiar a prova e a dar indicações do caminho a seguir.

A tão falada subida é uma autêntica parede capaz de matar ali vários atletas que não se tenham resguardado no incío. Foi feita a passo e bem a passo. Nunca parei, segui sempre muito lentamente e a controlar a respiração.

No meu caso em concreto noto que fiz as subidas com mais facilidade que em provas anteriores e com subidas menos inclinadas. Acho que o recente plano de treinos tem funcionado muito bem. O reforço lombar e abdominal começam agora a dar os seus frutos.

Desta vez a equipa Run Baby Run contou com os habituais e com uma surpresa 'last minute': o meu grande amigo Ritchie Pitchie ;) que fez o favor de aparecer e correr trajado a rigor! Ah pois!

Aparece mais vezes, meu amigo!
(Mastiguei os 11km do Monge em 1h47m)

Os restantes fizeram a prova sem dificuldades e todos com um balanço positivo, com o Louis a estrear-se numa prova 'out of road' e, pelo que nos disse, gostou bastante. Disse-o com ar de quem queria dizer: "vou voltar a repetir".

 Ritta Bramble
    
 Eu, ainda, a sorrir. O aproximar de uma meta tem este efeito em mim!

Give me five!

 A equipa do costume com o amigo Nelson Graça que conhecemos no Trail Camp e que conquistou um fantástico 6º lugar na geral. Parabéns, Nelson!

Agora só volto aqui para vos contar como foi o Trail Amigos da Montanha. Será uma experiência nova ver uma prova do lado de fora. Vou contar como foi. Contar como foi ver a partida, ver os atletas, ver os abastecimentos, ver a chegada... Também deve ser bom...

É... Deve ser bonzinho, sim... Aliás, deve ser o máximo! Não sentem já a adrenalina?!?! Estou super-entuasiasmada!! Já estou a imaginar: ver os outros na linha de partida e eu ali, paradinha ao lado, a acenar com a mãozinha e a dizer 'Adeus'... Conseguem perceber a excitação?!

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12 de novembro de 2013

Marathon des Sables: o enxoval

Cá por casa vamos fazendo artimanhas para treinar. Nesta altura do ano, com os dias mais curtos, torna-se menos apetecível sair à rua ao fim do dia para fazer o treino. Mas tem de ser. A cada dia que passa, adensa-se a preparação da Marathon des Sables. Que não passa só por correr, claro.

Há muita coisa a preparar. A começar pelo enxoval que tem de ir com o noivo. Comida, saco-cama, mochila, roupa, utensílios... Um sem fim à vista de coisas e coisinhas que o Paul Michel tem de levar para o deserto.

Para planear tudo isto nada como uma folha de Excel para ajudar no levantamento e registo do que está disponível no mercado, para mais tarde tomar decisões sobre o que levar. É o mais por menos: mais energético ou mais calórico, por menos peso! A regra do peso é de ouro.

Como muitos saberão esta prova é feita em auto-suficiência (quase, porque a organização da prova disponibiliza água aos participantes, 12 litros/dia), mas de resto tudo tem de ser carregado aos ombros. Estima-se que a mochila de um participante ronde, em média os 12kg. No mínimo a organização impõe 8kg, a partir daqui cabe a cada um a selecção criteriosa do que vai levar. E lá dentro deverá estar tudo o que é necessário para aqueles seis dias no deserto: roupa, comida, saco-cama, bússola, medicamentos básicos, etc..

Uma das últimas visitas ao "supermercado" o levantamento efectuado resultou nisto:



Já te estou a imaginar de manhã, depois de teres corrido na véspera uns 40km, a fazeres o teu cappuccino e cantar Johnny Nash:
 
"I can see clearly now the rain is gone; I can see all obstacles in my way; Gone are the dark clouds that had me blind... It's gonna be a bright, bright, sunshiny day!!"

 

Painel solar: para carregar o telemóvel e mandar sms.

Uma naifa ao estilo de McGyver para matar escorpiões que apareçam à noite no saco-cama

Um isqueiro, não vá aparecer alguém no meio do deserto a pedir lume

210gr. de colchão? Nahhh, peso a mais. Aquilo não é areia? Então?Menino...


Olhem que bom aspecto!

Massinha com chicha!



Nhumi, nhumi! Com caril!

E fácil: aquecer a água, juntar ao preparado, mexer, esperar 5m et voilá!!! Um repasto!

Já eu, sempre solidária com ele, também andei a fazer uma pesquisa de coisas e coisinhas que me faziam muita falta para correr. 

Então comprei uma camisola, primeira camada, agora que o frio se aproxima ou eu me aproximo do frio. Tem um grande defeito: após o treino fico a cheirar a ETAR... Benza Deus!!



O colete Nike Aeroloft para vestir por cima da primeira camada, com pena de ganso e ultra-leve. Tem perfurações que permitem que o calor saia, evitando suar em bica. Há muito que procurava uma peça deste género para correr. Não gosto de me sentir enchouriçada, mas só uma primeira camada também não era suficiente. Este colete permite liberdade de movimentos e mantêm-me quente. Pelo menos enquanto o frio não aperta, falta testá-lo nos dias de frio intenso para ver se o calor se mantém. Mas para já, está aprovado e recomenda-se.




Por fim, as luvas, esse acessório para os dias de frio mais rigorosos. Nunca fui muito adepta de luvas, nem para o dia-a-dia. Mas em provas de trail, por exemplo, são aliadas importantes em caso de queda ou simplesmente para nos apoiarmos numa parede ou pedra. E tem outra grande vantagem: ajudam a não lascar o verniz das unhas!




Cada um com as suas necessidades, lá vamos indo... Permitam-me brincar um pouco com isto, pois por agora ainda vou tendo espírito para me divertir com a situação. Com o passar dos meses acho que esta veia humorística vai-se desvanecer para dar lugar a uma alma inquieta...

Boas corridas!